As bactérias causam mais problemas
em hortaliças do que em frutos, devido a diferenças de pH. O pH das
hortaliças varia tipicamente entre 4,5 e 7,0, enquanto muitos frutos têm
pH <4.5 que inibe o crescimento das bactérias. Alguns frutos olerícolas
são susceptíveis, como o tomate, pepino e pimento.
Ao contrário de diversos fungos, as
bactéria não conseguem penetrar pela superfície intacta dos tecidos
vegetais. Recorrem por isso às aberturas naturais (hidátodos, estomas,
lenticelas) ou a ferimentos.
Ferimentos naturais são porta de
entrada para bactérias, como os que ocorrem frequentemente na junção de
caules e pedúnculos. A cicatriz peduncular do tomate é uma importante
porta de entrada para bactérias do género Erwinia.
Ferimentos causados por factores
bióticos (pássaros, fungos, nemátodos, animais), abióticos (granizo,
chuva) ou antrópicos (poda, máquinas), permitem a entrada de bactérias.
Relativamente poucas espécies de
bactérias provocam doenças nas plantas e só algumas dessas afectam a
qualidade pós colheita dos produtos. No entanto, quando se desenvolvem têm
geralmente resultados catastróficos.
O quadro 1 resume algumas
características das principais bactérias causadoras de podridões
pós-colheita. Outras bactérias que podem causar problemas ocasionais
encontram-se listadas no quadro 2.
Quadro 1- Resumo das
características das bactérias que causam podridões húmidas (adaptado de
Lund, 1983)
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Espécie |
Temperatura crescimento (oC)
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Sintomas |
Fontes de inóculo, subserviência e
disseminação |
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Min. |
Opt. |
Max. |
|
Erwinia carotovora
subsp. atroseptica |
3 |
27 |
35 |
Pode atacar diversas olerícolas,
especialmente grave em batata, alguns frutos. Frequentemente associada
com Ecc. |
Mancha de água, amolecimento,
maceração do parênquima. Em batata inicia-se pelas lenticelas, feridas
ou pelo rizoma. Em batata depende de condições de anaerobiose. Mesmos
que Ecc. |
Na superfície dos tubérculos de batata
(e também nas lenticelas), mas não à superfície de outros frutos ou
olerícolas. No interior de pepino, pecíolos de couve chinesa e talvez
outros frutos. Sobrevivência no solo é limitada. Sobrevivem em
restolhos e na rizosfera de diversas hortícolas. Disseminação pelo
escorrimento e salpicos de água (e aerossois pelo vento), máquinas.
|
|
Erwinia carotovora
subsp. carotovora |
6 |
28-30 |
37-42 |
Maioria olerícolas, alguns frutos.
Tanto no campo como em pós-colheita. |
Mesmos que Eca. (excepto
detalhes da batata?). Em hortícolas de folhas (couves, alface)
inicia-se pelo caule cortado. Em couve flor inicia-se por zonas que
sofreram injúrias mecânicas. Aumento da produção de etileno em
couve-flor acelera senescência. |
|
Erwinia chrisanthemi |
6 |
34-37 |
>45 |
Diversas culturas tropicais e
sub-tropicais. Saintpaulia, cravos, Philodendron e
Dieffenbachia em estufa nas zonas temperadas. Ananás |
|
|
|
Pseudomonas marginalis |
>0,2 |
25-30 |
>41 |
Diversas olerícolas |
Semelhantes a E. carotovora mas
menos virulentos em condições óptimas. Acastanhamento do sistema
vascular e manchas castanhas (russet spot) na alface de cabeça. |
Superfície de folhas nas regiões
temperadas húmidas. Interior de pepinos. Mais abundante na rizosfera
do que no “solo livre de plantas”. Praticamente omnipresente no solo e
superfície de plantas.
Evitar acumulação de restolhos em
apodrecimento. |
|
Pseudomonas viridiflava |
- |
- |
- |
Feijão, (couve-flor, tomate, ervilha,
couve-repolho e alface – doenças no campo) |
Lesões necróticas
vermelho-acastanhadas nas vagens |
|
|
Pseudomonas cichirii |
- |
ca.
30 |
>41 |
Chicória, endívia, alface e couves |
Em couve manchas acinzentadas ou
acastanhadas, deprimidas, circulares ou ovais 1-5mm diâmetro ou
círculos concêntricos. Manchas necróticas firmes nas folhas interiores
e pecíolos da alface de cabeça |
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Quadro 2- Bactérias que causam outros
defeitos que não podridões húmidas (adaptado de Lund, 1983)
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Espécie |
Produtos
afectados |
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Bacillus polymyxa |
Batata, pimentos |
Bacillus subtilis
|
Batata, tomate |
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Clostridium puniceum |
Batata |
|
Clostridium spp. |
Batata |
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Corynebacterium flaccumfaciens |
Feijão |
|
Corynebacterium michiganense |
Tomate, batata |
|
Erwinia ananas |
Ananás |
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Erwinia carotovora pv.
atroseptica |
Pode atacar diversas
hortícolas, especialmente grave em batata (no campo e podridão pós
colheita; grave em condições humidas), alguns frutos. Frequentemente
associada com E. carotovora pv. carotovora. |
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Erwinia carotovora pv.
carotovora |
Ataca a maioria das
hortícolas e alguns frutos. Tanto no campo como em pós-colheita. |
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Erwinia chrisanthemi |
Diversas culturas
tropicais e sub-tropicais. Saintpaulia, cravos, Philodendron e
Dieffenbachia em estufa nas zonas temperadas. Ananás |
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Erwinia cypripedii |
Orquídeas
Cypripedium |
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Erwinia rhapontici |
Ruibarbo |
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Pseudomonas syringae |
Diferentes patovars
atacam pepino, melão, couve-flor, feijão, ervilha, citrinos, tomate,
aipo |
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Pseudomonas tolaasii |
Cogumelos |
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Pseudomonas solanacearum |
Batata |
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Pseudomonas cepacia |
Cebola |
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Pseudomonas cichirii |
Chicória, endívia,
alface e couves |
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Pseudomonas gladioli pv.
allicola |
Cebola |
|
Pseudomonas marginalis |
Diversas hortícolas |
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Pseudomonas viridiflava |
Feijão (causa também
doenças no campo em couve-flor, tomate, ervilha, couve-repolho e alface) |
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Xanthomonas campestris pv.
campestris |
Couves, couve-flor,
feijão, tomate, pimento, rabanete, pêssego, nactarina, damasco, ameixa.
Existem diversos patovars. |
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Streptomyces scabies |
Batata, beterraba |
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